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O Desenho e a sua Técnica – João Medeiros

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Uma das melhores coisas em ser professor é a troca de conhecimentos com os alunos. Volta e meia, um aluno vem me mostrar algum livro sobre desenho que eu ainda não conheço, é claro que eu peço emprestado para ler ou fazer cópia. O ultimo a cair em minhas mãos dessa forma foi “O Desenho e a sua Técnica”, de João Medeiros, de 1968.

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Segundo o Thomaz, o meu aluno do sexto ano e proprietário do livro, ele o encontrou numa casa que o seu avô comprou e onde havia vários livros antigos. Confesso que esse livro foi uma leitura muito divertida, pois o seu autor se propõe a compilar os principais recursos técnicos e materiais de desenho existentes no final dos anos sessenta. Por exemplo, uma boa parte do livro é dedicada ao letraset – “Um fabuloso processo moderno para a confecção de textos e letreiros”, além de outros instrumentos quase esquecidos como o normógrafo e o tira-linhas. Uma verdadeira viagem no tempo. Sem falar na descrição detalhada do uso de uma lapiseira – “Entre os diversos processos que permitem a execução fácil do desenho vamos eleger primeiramente o instrumento de mais ampla utilidade: a lapiseira”.

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Ele faz um brevíssimo resumo das principais técnicas que todo desenhista precisa conhecer como geometria, perspectiva, luz e sombra, proporções da figura humana e composição. São apenas informações muito simples, mas fundamentais para qualquer artista.

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E muito interessantes são as várias dicas práticas que o autor ensina, como por exemplo: “Quem não tem cão caça com gato; miolo de pão também serve para limpar traços de lápis, como se fosse borracha”. E o livro tem várias ilustrações feitas pelo próprio autor, além algumas reproduções de obras de artistas famosos.

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Com a leitura de “O Desenho e a sua Técnica” podemos ver que muitas coisas mudaram nas ultimas décadas, mas outras nem tanto. Assim como o autor do livro, eu também acredito que o domínio do desenho exige muita dedicação e estudo, e como o João Medeiros mesmo diz: “O desenho sempre se torna muito mais fácil quando conhecemos os materiais e o seu emprêgo”.

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Como Colorir um Desenho com Esferográficas – Parte 1 de 3

Nos últimos tempos venho testando vários materiais de desenho diferentes. A minha filosofia tem sido usar o material que estiver a mais a mão, e tentar desenvolver técnicas com eles. Afinal do que adianta uma técnica maravilhosa, se os materiais são caros ou difíceis de encontrar?

Por essa razão a minha preferência são os materiais baratos e fáceis de se conseguir.  Seguindo  por esse pensamento venho testando o tipo de caneta mais comum, a esferográfica. Já fiz uma série de posts com sketchs feitos apenas com elas. E foi a partir desses desenhos que desenvolvi a base para o que vou mostrar aqui, que é como colorir uma ilustração usando esse material. Mesma técnica que usei para colorir o desenho do Wonder Woman Day V.

Como esse post ficou muito grande, tive que dividi-lo em 3 partes. Peço que tenham paciência pois vou colocar tudo no ar na seqüência dos próximos dias.

Primeiro vamos observar o material que utilizei para colorir o desenho nesses primeiros passos.

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Não existem somente canetas bic azul, preta e vermelha. Com um pouco de sorte você pode encontrar de outras cores e marcas também. Comprei esse conjunto com 3 canetas, nas cores rosa, vermelha e marrom, no supermercado perto da minha casa. O detalhe engraçado é que elas são perfumadas e deixam um cheirinho bom enquanto você está desenhando.

Agora uma dica muito importante. Como segurar a caneta.

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Seguro a caneta no meio, e não na ponta. Assim consigo colocar menos força no traço e deixá-lo mais leve. E quanto mais leve o traço melhor, porque desse jeito é possível sobrepor uma maior quantidade de camadas. Pelo menos no começo a caneta mal deve encostar-se no papel. De resto, elas são muito semelhantes com qualquer outro material de desenho que trabalha com luz e sombra.

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1º passo

Comecei a colorir o desenho com a caneta rosa. Pintei todo o corpo do dragão com esses “risquinhos” chamados de hachuras, modelando o volume das formas. Tomo o cuidado para que essa primeira camada seja bem clara e suave, porque ela vai ser sobreposta varias vezes por outras cores ainda. Sempre começo com uma cor mais clara e aos poucos eu vou escurecendo com outras mais fortes, como vou explicar adiante.

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2º passo

Com a caneta vermelha pesei mais as áreas de sombra do primeiro passo, cuidando para que a nova cor não cobrisse totalmente a cor anterior. O objetivo no final é que seja possível ver todas as cores de hachuras. Só troco de cor quando acho que não tenho mais nada o que fazer com ela, mas é possível voltar a usá-la de novo para fazer pequenos ajustes. Usei a caneta rosa para melhorar a transição de claro para o escuro durante esse passo também.  Mas é muito mais fácil de exagerar na dose usando muitas cores ao mesmo tempo. A minha dica é usar uma caneta de cada vez, no máximo duas.

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3º passo

Nessa camada usei a caneta de cor marrom para pesar mais um pouco a sombra. Essa cor de caneta não é bem marrom, sobre um fundo vermelho ela se parece mais com um vermelho bem escuro. Somente quando se chego a um ponto onde não é possível mais escurecer usando apenas uma cor de caneta, é que troco por outra mais escura.

O que fiz até aqui basicamente foi só luz e sombra monocromática, porque mesmo usando três cores de caneta diferentes, o que prevaleceu foi vermelho. Essa é a mesma base da técnica que usei nos meus sketchs de caneta esferográfica azul, onde só usei dois tons diferentes de canetas azuis para fazer a maioria deles.